Tem dias que me pego tentando entender como funciona esse
negócio de sentir, pode parecer paranoico, e eu até desconfio mesmo que seja,
mas eu fico por horas tentando achar uma explicação exata pra esse mundo de
sensações, esse mar de sentimentos que são despertados em uma fração tão curta
de segundos, esse meio tempo em que tu arreganha os dentes e me olha como se
alguma coisa extraordinária estivesse acontecendo. Tem dias, que mesmo
carregando tanto de ti em mim, é inevitável não sentir uma pontinha de medo,
sim, medo dos ventos te levarem, da vida te arrastar, do tempo deslocar teu
afeto pra longe, talvez seja insegurança boba, ou só medo mesmo de alguém que
nunca soube como abraçar a felicidade e quando tem a oportunidade desconfia se
tudo não passa de um sonho, ou frutos de uma imaginação apaixonadamente fértil de
sentimentos. Em dias assim moreno, eu volto a me questionar sobre a tua existência,
de onde tu saísse, que útero milagroso foi esse que transbordou mundo a fora
uma alma tão desenhada de poesia e flores como a tua, eu fico duvidando da tua
humanidade, e fico torcendo pra você saber o que é amor, fico rezando pra você
ter pelo menos uma noção básica do que é sentir imensidões por alguém, e
baixinho peço a Deus que tu exista, que tu se mude, que tu chegues pra ficar,
que venhas sem medo de tudo que podemos ser, que me dê um pouquinho de espaço
nesse teu peito tatuado, peço que Ele permita que eu te faça sentir a
felicidade de ser a felicidade de alguém. Hoje é o segundo dia do ano, e eu sinceramente
tô pouco me lixando com o caos lá fora, aqui do meu quarto tudo que eu consigo
pensar, é na tua poesia que insiste em ficar fixada na minha mente, eu sei,
você vai me dizer que não escreve, e eu serei obrigada a te dizer que a poesia
é você, e se tem tanta coisa minha escrita e perdida por aí, a culpa é sua, a
culpa é desse teu cheiro de vida, desse teus olhos castanhos, e dessa imensidão
de sentimentos inexplicáveis que você plantou em mim...
- Josseny Kenny.

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