Agora sim eu vejo, só agora, depois de tantos anos indo e voltando, sumindo e aparecendo, só agora, no meio de uma breve conversa posso ver, eu sou a página que ele virou com a mesma facilidade em que se muda uma música que não te toca na playlist nos seus dias de bad. Um poema esquecido que se perdeu no tempo e ele já nem lembra mais qual era o subtítulo. Agora, quase que com a clareza de uma lâmpada de 100 watts, eu posso enxergar ao longe que ele conseguiu fazer o que eu, inúmeras vezes, evitei pensar em fazer, colocar um ponto final no que poderia ser mais um parágrafo nas nossas vidas. E assim, viramos passado antes mesmo de sermos futuro, uma folha amassada de um poema que não teve muita rima, um papel meio rasgado de um texto sem conclusão. E sabe o que eu vejo agora? Que não tínhamos mesmo como ir adiante, porque se o amor da sua vida perde a fé no amor que se sente, a sua reza não salva a promessa que foi feita por dois. Se duas pessoas remam juntas elas chegam juntas, mas se uma pula do barco em alto mar, o que pode fazer a outra pessoa a não ser continuar? A vida é isso, remar, escolher chegar ou se deixar naufragar, e eu mesmo com tanta vontade de dar partida naquele mergulho e nadar junto com ele, preferi seguir, porque a liberdade de amar é não deixar virar nó o que um dia foi um lindo laço.
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- Josseny Kenny / recuperados de 2015.
- Josseny Kenny / recuperados de 2015.
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