Tínhamos tudo pra não dar em nada, tínhamos nada pra dar
em tudo, você calmaria, dessas de mar que não se revolta na superfície, mas que
também esconde as turbulências nas profundidades do (a)mar, eu avulsa no mundo,
correndo contra o vento só pelo prazer de sentir a liberdade me beijando as
bochechas, eu queria voar, abrir os braços e dar conta de sentir o universo no
meu peito, até esbarrar em você e nessa tua tranquilidade desleixada pro mundo.
Que encanto! Quase que espontâneo meu coração sorriu e decidiu que a liberdade
que ele queria naquele minuto era sentir as flores da tua alma perfumando meu
avesso, o prazer de bater as asas agora era a vontade de ser mastigada pelo teu
riso e irradiada pelo castanho dos teus olhos. Por onde andastes moreno? Quantas
vidas cê viveu por ai pra esbarrar na minha? Que felicidade vestida de domínio é
essa que tens sobre mim? Não quero mais o mundo, nem a moradia dessa sociedade
pobre de afeto e desnutrida de amor, eu quero morar no teu peito, acampar no
teu desleixo e te preparar um café pela manhã, mora aqui e deixa eu morar em
ti, que eu descobri que minha ânsia de abraçar o universo não passava de um
pretexto pra te encontrar por aí, deixa eu te guardar num potin, fazer por você
o que ninguém já fez por mim, deixa estar assim, você me sorri daí e eu te
cuido daqui.
Josseny Kenny
Josseny Kenny
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